Meu breve encontro com o agora centenário Jamelão

15 maio, 2013

Esse ano, assim como os anteriores, está repleto de centenários no mundo da música. Dentre os brasileiros, poderia destacar Wilson Batista, Ciro Monteiro, Vinícius de Moraes e Jamelão. Dada minha falta de tempo, muito provavelmente não serei capaz de homenagear a todos por estas quase esquecidas páginas (razão pela qual os homenageio desde já). No entanto, em razão de meu coração mangueirense também não poderia deixar de falar do grande José Bispo Clementino dos Santos, o maior intérprete (puxador jamais!) de sambas enredo de todos os tempos, a voz da Mangueira, o principal intérprete das canções de Lupicínio Rodrigues e do estilo “dor de cotovelo” com sambas, boleros e sambas-canções que marcaram época, o crooner da Orquestra Tabajara, do maestro Severino Araújo, o popular e já citado Jamelão.

Com uma voz inconfundível e um jeitão ranzinza, Jamelão é um nome que faz falta ao cada vez mais asséptico carnaval da Sapucaí. Com ele não tinha meio termo, dizia na lata mesmo, fazia suas críticas pesadas e ai de quem não gostasse. Sabia que valia mais do que meia dúzia de carros alegóricos, enredos esdrúxulos e toda essa papagaiada que cerca os desfiles. Seu nome, felizmente, entrou pra história e ninguém pode apagar. Lembro-me da primeira de poucas vezes em que tive contato com ele. Literalmente. Não tive coragem de dirigir-lhe a palavra na quadra da Mangueira, enfestada de pessoas estranhas ao meio (confesso que àquela altura eu estava muito mais pra turista do que pra qualquer outra coisa), mas abri passagem para que passasse por um estreito corredor, a caminho dos camarotes, dando-lhe um leve e respeitoso tapinha nas costas enquanto tentava balbuciar algo como “por favor, por aqui Jamelão”, que não sei se ele ouviu, nem sei se saiu da minha boca. Talvez tenha dito “mestre” antes de seu apelido-nome artístico, mas isso não faz a menor diferença, ele olhou para minha direção e não hesitou em seguir o caminho, provavelmente sem uma troca de olhares. Naquele momento, estava ciente de minha insignificância perto daquele a quem tentava imitar a voz desde criança. Antes de qualquer nome da Mangueira, devo ter virado mangueirense por causa dele e do passista Delegado.

Talvez tenha-o visto mais umas duas vezes, assim como mais umas duas vezes retornei àquela moderna quadra da verde e rosa com meus amigos (estavam com certeza João, Tiaguinho e Sergio, muito provavelmente, Rodrigo “Topin”, sempre junto com os dois anteriores, e algumas meninas de histórias passadas). Preciso voltar lá, num dia menos turístico e reconstruir os passos de um dia que, se não fosse esse “encontro”, nada teria de significativo, a não ser os altos preços do transporte, das entradas e das latinhas, algo que de tão corriqueiro, apesar de ainda causar revolta, não chama mais atenção a ponto de ocupar espaço na memória.

Jamelão, por sua vez, está marcado na minha memória. Como já falei, virei mangueirense por causa dele, mas devo-lhe mais do que isso. Acreditem ou não, foi meu primeiro ídolo na música, imitar sua voz durante os desfiles (ou melhor, durante toda a duração dos desfiles) era uma mania daquelas que crianças adquirem sabe-se lá por qual razão e, se fiquei trêmulo diante de um encontro tão passageiro, é por causa da admiração que tinha por ele.

Jamelão é inesquecível. Evoé mestre e muito Axé onde você estiver!

Até mais!

p.s. um presentinho: 


Curtas notas sobre o carnaval 2013

8 março, 2013

Tem culpa eu se o carnaval não quer me deixar? A rotina veio com tudo, mas ele é teimoso. Tá bom, a essa altura é só um descarrego mesmo.

Sobre o título da Vila Isabel, não vi a maioria dos desfiles, mas parece mesmo que foi indiscutível. Parabéns à escola e a todos os que trabalharam e torceram pela agremiação do bairro de Noel e Martinho. Infelizmente, por outro lado, vemos que os títulos no carnaval carioca ficam condicionados a generosos apoios financeiros de empresas, instituições ou órgãos de estado. Digo infelizmente, pois, como foi visto nesse ano de 2013, o enredo campeão, que falava sobre o homem do campo, não mencionou nem em nota de rodapé a luta pela terra, os conflitos e assassinatos de militantes, ou mesmo a causa das lutas destes movimentos sociais. E a idônea BASF, empresa que em muito prejudica o meio ambiente sai safa dessa história toda e ainda pretende patrocinar o enredo da Vila no ano que vem sobre agricultura. Esse despautério parece piada de mal gosto, mas não é.

No que diz respeito aso grupos de acesso, é para se estudar o impacto direto, indireto e/ou até mesmo “forçadamente provocado” pelas UPP’s. Não tenho material, nem conhecimento suficientes para uma análise profunda, mas fica a dica aos interessados. Falo isso por conta do retorno da Império da Tijuca ao grupo especial, que fez um belo carnaval no grupo de acesso A, e também pela ascensão da Mocidade Unida do Santa Marta, do grupo D para o C. O Dona Marta, por sinal, foi o primeiro local de instalação das UPP’s no Rio. Seria interessante alguma análise sobre isso, pois se antigamente quem dominava eram os contraventores do jogo do bicho (e a contravenção nunca abandonou o ambiente das escolas de samba), hoje podemos estar assistindo a uma transformação nesse paradigma. Não digo que para melhor, até porque parece que quem mais agrada ao estado, mais benefícios adquire. Fato é que uma festa que envolve milhões, sendo boa parte dinheiro público, não ter prestação de contas torna tudo um absurdo. E todos sabem que o governo do estado e a prefeitura são coniventes.

Outro impacto a ser analisado diz respeito ao triste rebaixamento da Vizinha Faladeira, uma das primeiras escolas de samba, sendo inclusive campeã de 1937, ao grupo dos blocos de enredo. Numa rápida pesquisa, fiquei sabendo que a escola teve que mudar o lugar de sua quadra por conta das obras de revitalização da zona portuária. Isso certamente complica pros desfiles. Que consigam sair dessa…. sábado na Rio Branco estarei lá assistindo os blocos de enredo, torcendo por sua subida (isto se o rebú danado que deu, por conta de outras escolas não terem sido punidas mesmo infringindo as regras, não tiver uma reviravolta)!

Quanto aos blocos, entra ano e sai ano e os melhores blocos são aqueles que cagam e andam pros desmandos da prefeitura, salvo raríssimas exceções. Repito isso ano após ano, nada mais a acrescentar.

Infelizmente, não tenho mais paciência para os blocos que desfilam todo ano com um samba-enredo próprio, embora tradicionais. Foliões desatualizados sobre o tema do desfile e não fantasiados a caráter, por conta de má divulgação dos responsáveis (organizadores, prefeitura e demais veículos de divulgação), poucos foliões fantasiados, muitos alheios ao desfile, sem fantasia (geralmente sem camisa pra mostrar o quanto são fortes, ou querem fazer com que os outros os achem fortes, sem falar no tosco ritual de sedução de moldes pré-históricos, puxando as menininhas pelo braço afim de sanar suas frustrações cotidianas resultantes na baixa capacidade do intelecto em elaborar discussões agradáveis com outros seres humanos, atos que ultrapassam a fronteira do ridículo), prontos pra transformar o bloco em uma boate a céu aberto, no primeiro porta-malas que se abrir tocando qualquer coisa que não músicas de carnaval, a multidão em proporções gigantescas, com pouco espaço para a dança e a brincadeira, entre outras questões. Sei que não é tudo responsabilidade dos organizadores, mas infelizmente, isso não é pra mim. Ao menos, a maioria das pessoas que busco encontrar nos festejos também não mais frequentam tais aglomerações.

O melhor quitute, embora tenha sido apreciado uma semana antes do tríduo momesco, foi com certeza o giló recheado de madureira, na concentração do Timoneiros da Viola. Uma pena foi o desaparecimento do acarajé da Rio Branco, que não entrou na avenida. Aliás, voltando a falar dos Timoneiros, o bloco é ótimo, Paulinho da Viola, Nelson Sargento e Waldir 59 juntos em cima do “transatlântico” elétrico foi assaz emocionante, um momento único e inesquecível, todavia o oficialismo que os organizadores buscam impor é insuportável. Não bastasse a presença do inacreditavelmente ainda secretário de transportes Julio Lopes no ano passado, esse ano a presença do prefeito Dudu Paes e do arroz de festa Pezão, numa tentativa de fazer sua imagem insossa conhecida, com um (apenas um) dos puxadores rasgando elogios à atual administração municipal, tornaram o momento em muito desagradável. A estrondosa vaia desse ano, assim com a do ano passado, foi merecida. Não se oficializa um bloco de carnaval.

Pra terminar, como a essa altura do ano já é dia internacional da mulher, vamos homenageá-las com a primeira mulher a ter cantado na avenida um samba enredo.

Até mais!


Desculpe o Transtorno

8 fevereiro, 2013

rei-momo

O bloco “Desculpe o Transtorno!” vai pras ruas, o lugar do Carnaval! Venham momear!

O Carnaval é um delírio. As dores, os prazeres, as necessidades, as possibilidades, os amores e os arroubos que nos atravessam o ano inteiro condensam-se nesses dias em que Momo é o rei único das nossas ilusões. Devemos adoração e respeito a esse mito que nos devolve a alegria de sermos mais um na multidão – sem passado ou futuro somos um elo desse corso que atravessa as ruas da cidade com os pés no chão e o coração na lua. Não somos ninguém, os mascarados, as colombinas, os pierrôs… Somos todos! E nossa única obrigação é honrar esse reinado.

Numa noite da Folia carioca em 2012, alguns poucos foliões trajando suas fantasias, placas, alguma percussão e tomando como estandarte um tapume partiram da Cinelândia rumo à Lapa num amontoado que dava origem ao bloco Desculpe o Transtorno, após alguns anos buscando tirar, das costas, um peso, e do papel, um projeto. Neste sábado de Carnaval, dia 9 de fevereiro, teremos o prazer de realizar nossa segunda aparição pública, convidando a todos para se juntarem aos seguidores do monarca de espírito plebeu, o único rei que amamos, cujo único desígnio é o de que não haja regras durante os festejos.

Como se sabe, nos últimos anos, o sempre vivo Carnaval de rua cresceu, atraindo multidões para inúmeros blocos por toda a cidade. Junto com seu crescimento, temos a capitalização da festa, criadora da necessidade de apresentar uma ideia de organização para quem a vê fora (investidores, espectadores e potenciais turistas). O aumento de uma enviesada fiscalização e a criminalização dos supostos “mijões” (que atrevem-se a aliviar suas vontades em local público, ignorando a sempre insuficiente oferta de sanitários da festa, curiosamente patrocinada por uma cervejaria) fazem parte desse projeto de higienização, que aflige a cidade em dias “normais” através de remoções, da especulação imobiliária e da transformação de espaços que priorizam os interesses privados e turísticos, em detrimento das necessidades da população.

Em meio a tapumes, vias interditadas, placas e mais placas indicando obras intermináveis e homens trabalhando, queremos brincar sem pedir autorização, já que o Carnaval é folia, mas também uma forma de resistência, de perpetuar nossas práticas durante os festejos, sem querer ser melhor do que ninguém, apenas sermos ninguém na multidão, pois temos consciência de que quando a poeira baixar, se nada fizermos, estaremos imersos num ascetismo e assepsia em nada condizentes com o tríduo momesco. E a cidade que queremos não é essa.

A festa dos pretos, pobres e excluídos ficou rica e foi incorporada ao imaginário popular. Que ótimo! Mas não temos o direito de deixar que deturpem a tradição em troca de um pseudo modernismo. Sim, não há regras; mas o fio condutor que nos trouxe até aqui é o cordão umbilical que alimenta a existência desse lugar real. A essência carnavalesca está no samba, nas marchinhas, no frevo, nas expressões de sincretismo religioso e no reforço da igualdade de espaços. Já mataram o samba tantas vezes… Longe disso, não há blocos. Espaços vips, ritmos outros, modas, tudo isso vende “novidade”, mas não é Carnaval – portanto, nada mais justo que passar longe no fevereiro pagão. Perdoem-nos e nos deixem livres para sermos inteiros reis de nós mesmos. Tradição não se comercializa: respeita-se, reverencia-se e reforça-se.

Venham esbanjando alegria, entusiasmo e, se quiserem, portando instrumentos percussivos ou melódicos, pois nosso bloco é de todos e não é de ninguém. Venham sambar, dançar e pular o Carnaval ao som dos sambas, marchinhas e marchas-rancho que são a cara da nossa folia!

Desculpe o transtorno, mas hoje é Carnaval!

Quando? Sábado de carnaval, 9 de fevereiro, às 13 horas.

Onde? Na clássica esquina do soco de Madame Satã em Geraldo Pereira, das ruas Mem de Sá com Lavradio.

Texto escrito em conjunto com a galera irmã do Pau Na Mesa.


2013 é na rua!

2 janeiro, 2013

Estas páginas podem estar desatualizadas, mas a luta pela rua continua! A própria baixa assiduidade é um reflexo de que o troço anda comendo solto por outras bandas. O que é um bom sinal.

Nesse sentido, essa curta postagem vem apenas desejar um ótimo ano de 2013 para todos. Que os espaços públicos não sejam tomados por áreas fechadas, vip’s, ou o que quer que queiram chamar (aliteração é isso aí); que o público prevaleça sobre o interesse privado; que as passagens de ônibus não aumentem acima da inflação, que não haja aumentos superiores aos salariais, quando estes de fato aumentam (e que estes aumentem!); que o transporte público funcione 24 horas por dia em toda a cidade, não restringindo sua circulação somente para quando for rentável às empresas; que seja extinta a dupla função de motorista/trocador, por ser perigosa, lenta e superexploratória do trabalho; que a circulação pela cidade seja cotidiana e não restrita ou restringida; que milhões de pessoas não se reúnam apenas em Copacabana, ou em eventos patrocinados pelo poder público, mas espontaneamente; que se vivencie a rua; que se vivencie a praça; que se vivencie as diferentes praças; que a praia não seja espaço de segregação social; que reduzamos cada vez mais as disparidades e segregações sociais.

Enfim, um 2013 de progressos, um baita ano, que valha a pena! De muita saúde e paz, sempre correndo atrás do resto. E a correria vai ser grande!

Até mais!


Se achando os donos da terra

5 dezembro, 2012

Não faz muito tempo a população finalmente ficou sabendo (não por conta da grande mídia, diga-se) e se deu conta do extermínio coletivo que vem sendo promovido dos nossos povos indígenas com o beneplácito da justiça federal. Uma realidade que parece distante aos olhos de quem pensa vivencia o Rio de Janeiro. Parece, apenas parece. Por aqui, no afã de entregar pra iniciativa privada (onde para todos os lados o que se lê é o nome de Eike Batista, sendo verdade ou boato) o gigante de concreto que um dia foi o maior do mundo, apesar de mantido seu tamanho (com um monte e frescurites que ultrapassam as, quem sabe – embora com sérias dúvidas – , necessárias obras de adaptação), os senhores governador e prefeito inventam a necessidade de destruição do Parque Aquático Júlio Delamare, do estádio Célio de Barros, da Escola Municipal Friedenreich e até do Museu do Índio, que fica do outro lado da rua, para “construir” um estacionamento no local, além de uma ou outra saída do estádio.

Não bastasse o absurdo que é destruir alguns dos patrimônios, equipamentos esportivos da cidade e até uma escola (que por si só já seria motivo pra pena máxima – a turma do guardanapo sujo na testa adora uma impunidade), ainda querem desalojar os índios que lá habitam, na conhecida Aldeia Maracanã. Estamos vivenciando uma cruel vitória dos interesses especulativos imobiliários e da construção sobre os interesses públicos, num palco onde tantas outras vitórias, muito mais belas e menos dramáticas (e olha que isso é difícil!), tiveram seu lugar. Entre o guardanapo e o cocar, não há dúvidas sobre quem merece ficar na aldeia. Os índios são os donos da terra de direito. E que os caciques da politicagem vão especular no raio que os parta! Sob os desígnios de Tupã.

Não dá pra deixar esses falsos malandros impunes. É preciso pressionar por sua investigação nessas CPI’s todas em que posam de bons moços, assim como toda a relação obscura com milicianos, chefes do tráfico e jogo do bicho deve ser alvo de verificação. Não vou ficar apenas no quesito bandidagem, embora, não haja dúvidas de que sejam, pois o buraco é muito mais embaixo. Se estudos comprovam falta de necessidade de remoções, a Fifa não exige a construção de estacionamento (porra, na boa, em qual lugar no mundo é necessário um estacionamento pra 2, 5 ou 10 mil carros para assistir a um jogo num estádio?! E ainda mais, num estádio em que o trem, o metrô e dezenas de linhas de ônibus de diversos pontos da cidade deixam praticamente na porta! Se não é p*taria, mamata da grande, não há outra explicação), e a cidade e o estado precisando de uma série de investimentos em áreas milhões de vezes mais importantes, como, saúde, educação, habitação, saneamento básico, mobilidade urbana (e não venham dizer que aquele malfeito -e assassino – BRT – um projeto falido e incapaz em cidades muito menores do que o Rio – e uma linha de metrô que não passa pelos locais com mais população, feita em “linha reta” para propositalmente ficar lotada, vão dar conta), a conclusão que se chega é que o óleo de peroba foi espalhado com muita destreza na cara de pau desses picaretas, que estão pouco se f*dendo pras necessidades reais do povo. Como sempre estiveram.

Não devemos esquecer, já que falamos em estado, do fato de ter havido semana passada a tal passeata pelo veto da Dilma. Ela vetou, beleza, mas e aí? Os recursos do pré-sal vão continuar sendo utilizados da maneira mais torpe possível? Basta passar em Macaé, por exemplo, pra perceber que as coisas não estão andando como deveriam. Felizmente a fiscalização aumenta. Mas uma coisa é certa: enquanto esses playboys da turma do guardanapo continuarem se achando os donos da terra e, pior, continuarem vendendo ou dando de bandeja o Rio de Janeiro (sei que isso ocorre fora daqui também, mas o processo por essas bandas é de gritante aceleração) pras mãos de um ou outro empresário, será preciso intensificar a luta.  E o que não falta é gente pra isso. Índio quer terreno e se não der pau vai comer!

Até mais!


Dia do samba

2 dezembro, 2012

“Chama que o samba semeia
A luz de sua chama
A paixão vertendo ondas
Velhos mantras de aruanda
Chama por Cartola, chama

Por Candeia
Chama Paulo da Portela, chama,
Ventura, João da Gente e Claudionor
Chama por mano Heitor, chama
Ismael, Noel e Sinhô
Chama Pixinguinha, chama,
Donga e João da Baiana
Chama por Nonô
Chama Cyro Monteiro
Wilson e Geraldo Pereira
Monsueto, Zé com fome e Padeirinho
Chama Nelson Cavaquinho
Chama Ataulfo
Chama por Bide e Marçal
Chama, chama, chama
Buci, Raul e Arnô Canegal
Chama por mestre Marçal
Silas, Osório e Aniceto
Chama mano Décio
Chama meu compadre Mauro Duarte
Jorge Mexeu e Geraldo Babão
Chama Alvaiade, Manacéa
E Chico Santana
E outros irmãos de samba
Chama, chama, chama”
Chama Batatinha, chama Adoniran, chama Zé Keti, chama Carlos Cachaça, chama Anescar, chama Nelson Sargento, chama Germano Mathias, chama Geraldo Filme, chama Caymmi, chama Riachão, chama Ederaldo Gentil, chama Kid Morengueira, chama Bezerra, chama Moacyr Luz, chama Paulo César Pinheiro, chama o lamento do samba, chama João Nogueira, chama Roberto Ribeiro, chama Eduardo Gudin, chama Beth Carvalho, chama Nei Lopes, chama Wilson Moreira, chama Zeca Pagodinho, chama Fundo de quintal, chama Clementina, chama Dona Ivone Lara, chama Delcio Carvalho, chama Jovelina, chama Walter Alfaiate, chama Vó Maria, chama Vinicius, chama Baden, chama Cristina Buarque, chama Gabriel da muda, chama o samba do trabalhador, chama o samba da ouvidor, chama a pedra do sal, chama o Bip Bip, chama os sambas de gafieira, chama a bossa nova, que é foda, chama o samba na “lage” dos camaradas, chama o samba na praça, chama o batuque na mesa e no balcão, chama a batucada no Maracanã maior do mundo, chama o trem do samba, chama o samba em alto mar, chama os mestres do choro, que tocam o samba melhor do que ninguém, chama, chama, chama…
Viva o samba!
Até mais! 

Mais um rastilho eleitoral…

6 outubro, 2012

Aproveitando que o primeiro turno das eleições vem chegando ao fim, gostaria de expor um fato que vem me encucando a respeito do “jeito carioca” e do “andar pela cidade” tão propagado pelo atual prefeito. O cara tenta tirar onda de que conhece todos os cantos da cidade com aquela cara de menino criado em condomínio que nunca saía de casa sem ser de carro e vem querer mandar uma dessas?! Na boa, falo com propriedade, pois não nego que também tive parte da infância e adolescência muito bem usufruída no play (afinal, de acordo com aquele ditado, sabia brincar), mas também levava uns “passa-fora” pela rua, o que acabou me tornando um apaixonado pela vida do outro lado da porta de casa. Foi na rua, por exemplo, que conheci os vizinhos, o campinho de terra, as meninas do bairro (que não por muito tempo se interessaram por mim, é verdade), os moleques da praça, os frequentadores dos botequins e toda a vida social, primeiramente das áreas próximas e, posteriormente, da cidade. Porque nunca tive problemas em andar de ônibus ou trem, por piores que sejam.

É por esse motivo que não consigo engolir essa história de que o atual prefeito conhece a cidade como a palma de sua mão, que vive a andar por aí, que leva a família ao parque de madureira e etceteras. Na boa, esse infeliz não conhecia nada além da barra e são conrado até ter sido eleito prefeito. Não tem o menor pingo de alma carioca com seu estilo de arrogante mimado, é um almofadinha comparável às crias do Maia, o que por sinal, ele também é. Não mete essa que não o povo não é otário. Se ganhar, agradeça eternamente ao Lula, o verdadeiro responsável pelas mudanças sócio-econômicas do país, por mais que vez por outra tenha errado (e esse puto imbecil, poucos anos atrás xingava como se não houvesse amanhã o ex-presidente). Desejo toda a sorte à cidade do Rio de Janeiro, porque ela vai precisar. Para nossa sorte, há o amanhã.

Até mais!