Carnaval é subversão

14 fevereiro, 2012

Antes de mais nada, não estou pedindo pra saírem mijando por aí pelas ruas. O cheiro que fica nas ruas causa sim incômodo e na existência de banheiros, estes continuam sendo a melhor opção. Também não estou defendendo atos de violência urbana durante os festejos de Momo. Brigar na rua é coisa de babaca.  Faço mais uma defesa do carnaval como momento de inversão. Tá certo, explicarei melhor, aguentem só um pouquinho.

Vivemos em um mundo cada vez mais insuportável, com pouquíssimos fazendo a festa a custa do sofrimento e da vida da imensa e esmagadora maioria. Até aí, nenhuma novidade, seria apenas mais um dentre os milhões de comentários a lamentar a vidinha de merda que poderosos impõem à humanidade diariamente. Uma população que aguenta cada tranco do jeito que aguenta, deve ter ao menos os dias do ex-tríduo momesco (atualmente já são quatro, cinco, ou até mais dias de carnaval) para realizar a tão necessária inversão na sociedade.

Foi só eu passar por aproximadamente duas semanas com pouco contato com a realidade que bombas e mais bombas estouram aqui no Brasil. Por preguiça e outras razões, não cabem ser mencionadas por ora (andaram até falando por aí que eu estava ficando louco, né não, Pedrinho e João?!), mas principalmente mesmo por preguiça, deixei de escrever por estas páginas. Pra não passar em branco, as últimas semanas, é complicado assistir calado às barbaridades que aparecem (ou são solenemente ignoradas) pelos meios de comunicação tradicional, por exemplo. O massacre de Pinheirinho no interior de São Paulo, uma renovada versão do despejo na favela cantado por Adoniran décadas atrás, um repeteco das práticas Alckimistas desde que esse desgraçado se elegeu pelo estado de lá, a conivência da justiça paulista, que passou por cima do pacto federativo, ignorando uma decisão do Supremo, a polícia sanguinolenta como sempre. Por aqui, as remoções do prefeito Paes, relembrando o governo Lacerda, que tacava fogo nas favelas para depois desapropriá-las e deixar o terreno livre para especuladores imobiliários fazerem a festa, não ficam por menos. Os absurdos pró-Cabral, o pior governador que esse estado já teve, mau caráter da pior estirpe, que some na hora de dar explicações, morador de Paris, mancomunado com grupos empresariais (Cavendish e a turma da Delta, Eike Batista, o novo dono do Rio, entre outros) em detrimento do interesse geral de atendimento ao povo que um cargo público deveria zelar, única e exclusivamente. Enquanto isso, as televisões silenciam ou distorcem fatos sobre as péssimas condições de professores, médicos, profissionais da educação e saúde, bombeiros, policiais e etc. 

Enfim, vivemos em um lugar difícil e nada bom de se viver (ao contrário do que dizia o jingle do Cabralzinho nos anos 1990 e 2000, aquele do “pra ficar legal”), apesar das sutis belezas da vida e das pessoas boas que nos cercam (e felizmente, são muitas, muitas! Certamente em número muito maior do que os imprestáveis), que nos fazem aguentar e seguir em frente. Portanto, não tem essa de pilantras como Daniel Dantas, Sérgio Cabral filho, Geraldo Alckmin, Paulo Maluf, José Sarney, Eduardo Paes, a família Maia, Nadinho, Jerominho, Naji Nahas, Júlio Lopes, os ministros mambembes, enfim toda a sorte de pulhas que existem país afora, o carnaval é uma festa do povo e para o povo.

Sendo os dias de folia feitos para o povo e pelo povo, não podem faltar nas fantasias, cartazes, manifestações corporais, emocionais, nas gargantas e olhares a expressão de seus sentimentos. Alegrias, angústias, sofrimentos, amores, desenganos, protestos, desesperos, êxtase, tudo tem espaço durante a festa. Tudo tem espaço na inversão. é hora de tomar a cidade, o espaço que diariamente nos é negado, ruas e praças, é hora da subversão, da inversão de valores e da sociedade. Não há mais ordem sobre os foliões, o único decreto do rei Momo é que todos devem brincar, a galhofa está liberada. Inclusive para os tristes e inquietos, que entrem na dança da inversão de valores de sua vida a brincar como crianças.

Há aqueles que dizem ser o carnaval um período de alienação, em que todos esquecem dos problemas que enfrentam na vida para se interessar apenas em brincadeiras, em pessoas seminuas, enfim em uma farra descompromissada com a realidade, enquanto “lá em Brasília” (ah, como eu odeio expressões desse tipo!), o pessoal rouba na cara de pau. É um argumento típico de quem reduz política a esses ambientes (direitista a dar com o pau, sejamos claros). Política se faz na vida cotidiana, vivendo a cidade, suas mazelas e oportunidades. É por isso mesmo que reafirmo a idéia do carnaval como subversão. Ninguém fica satisfeito com roubalheira ou com o favorecimento a um ou outro picareta em detrimento do bem estar público, de maneira alguma. O carnaval é sim momento de se mostrar, em fantasias, cânticos, cartazes e de todas as formas possíveis, toda a indignação que nos  deixa inebriados a rodar a cabeça, ano após ano, com a realidade, mas de um modo diferente. São dias em que o povo tem, antes de mais nada, de mandar todos os escusos nomes da política-empresarial e afins se danar.

E que se danem mesmo, que sumam! Após a morte na quarta-feira, retomamos nossos protestos e nossas vidas regulares, mas antes vamos brincar. Os protestos carnavalescos ocorrem, mas sob a forma de alegorias. O carnaval é uma alegoria da vida, ora bolas! Por isso já preparei meu pedido para que Momo engula a chave da cidade e que não devolva aos crápulas. A cidade é e tem que ser do povo que se organiza mesmo na desordem. As praças e ruas são nossas!

Até mais!


Pelo direito de ser boêmio

3 dezembro, 2010

Recentemente estamos presenciando no Rio de Janeiro uma onda de fechamento cada vez mais cedo dos bares e butecos. Isso, infelizmente, vem acontecendo por duas frentes. Em determinados locais, a prefeitura através do cada vez mais desprezível “Choque de Ordem”, na ânsia de mostrar à população que vem fazendo um trabalho sério, porém sem qualquer sensibilidade, botou os guardas municipais pra trabalhar até tarde da noite (afinal, anteriormente eles desapareciam nos primeiros sinais do escurecer). O que era pra ser uma boa medida para trazer mais segurança e até organização no trânsito durante a noite, visto que, em alguns lugares, mesmo de madrugada encontramos pontos de retenção, já em seu nascer foi desvirtuado, pois o principal foco de ação (assim como o do próprio “choque de ordem” em si mesmo) teve caráter repressivo. As medidas de organização tornaram-se claramente elemento de marketing e promoção televisiva, radiofônica e  etc, embora estivessem inegavelmente em segundo plano na maioria das vezes (“primeiro multa-se, fecha-se, apreende-se, depois pensemos de que modo vocês podem funcionar”). O diálogo passa longe, ou, no máximo, entrando por um ouvido e saindo por outro das autoridades. Mas não vim aqui apenas pra falar mal do “choque de ordem”, então voltemos ao tema.

Por um lado, a fiscalização dos agentes do choque de ordem (ah, danem-se as áspas, é muito esforço pra tratar de uma coisa tão baixa! – como se pressionar a tecla shift fosse um grande esforço, hehe, mas vocês entenderam) passou a ser ostensiva em diversos bares. Falarei inicialmente de minha “aldeia”, a pracinha São Salvador, para poder me expressar do todo (no caso, a cidade do Rio de Janeiro, ou melhor, os bares do Rio) e, com isso, permitir a generalização da análise. Pois bem, a pracinha São Salvador, um lugar aconchegante, praticamente uma segunda casa, recentemente vem sofrendo com os horários de fechamento dos seus três bares a partir de uma imposição da prefeitura. É uma repressão gradual, iniciada com a proibição de mesas na praça, continuada com a pribição de garrafas, com a caça aos vendedores ambulantes, redução do horário, seguida da proibição das rodas de samba que lá se apresentam (não-renovação das licenças), desaguando finalmente (mas talvez ainda venha coisa por aí) no fechamento obrigatório dos bares após 1 hora da madrugada, inclusive durante o fim de semana. Fazendo um esforço de compreender as reclamações da vizinhança, tendo em vista que uma barulhada durante altas horas da madrugada realmente deve ser uma aporrinhação, aceita-se até uma ou outra medida, como o desligamento das caixas de som após as 22 horas, mas é inconcebível a presença de um fiscal da prefeitura na porta dos bares ordenando seu fechamento, ou ainda, a perseguição aos pobres vendedores ambulantes (já falei aquela história de uma praça sem vendedor de pipoca aqui, pois é não foram só os preços que subiram em relação àquela época, mas também a repressão).

Por outro lado, vivenciamos um movimento de fechamento precoce dos bares, quando ainda frequentados no meio da madrugada. É necessária uma investigação mais aguçada, mas ao que parece há mesmo uma forte tendência dos donos em querer fechar seus bares cada vez mais cedo. Diversos fatores podem entrar aqui. Se já mencionamos a pressão “psicológica” das autoridades, outras razões merecem ser melhor investigadas, tais como a já não nova idéia do quão perigoso alguns locais podem ser à noite, a idéia da histeria coletiva que exige das pessoas seu trancamento atrás das grades de suas casas ou em casas noturnas, tese que não se sustenta na imensa maioria das vezes quando essas pessoas têm contato com a realidade e botam seus pés numa calçada. Se, como toda cidade grande, o Rio tem lá seus perigos, e é óbvio que os tem, talvez até acima de um patamar aceitável (ou talvez não), há muito barulho injustificado ou fruto de um medo que não deveria haver, especialmente nas regiões em que essa histeria se faz ouvir. 

Há, no entanto, uma questão que me parece mais profunda, relacionada com o tipo de bares e butecos que a todo momento vêm tentando implementar pelas terras cariocas e que, infelizmente, vêm se tornando a tônica dos bares noturnos da cidade. Os famosos botequins, bares tradicionais ou pés-sujo mesmo, estão se tornando cada vez mais símbolos de uma resistência cultural, ainda que não necessariamente seus donos saibam disso e partilhem dessa compreensão. Ao que parece, estamos presenciando uma transformação (por certo,  a vida é uma permanente transformação) do estilo de bar a ser adotado pelo capital dos empresários do ramo. Já não há mais aquele “boom” de bares-franquia, mas sim um novo tipo, trazido das chopperias paulistanas, ou qualquer coisa semelhante, que fazem todo o sentido em seus locais de origem (embora também acredite que não devam ser a tônica, pois buteco é uma cultura nacional), mas que importados pro Rio de Janeiro soam completamente fora de sintonia com a cidade, seja em Brás de Pina, seja no Leblon (por falar em importação de valores, a nova onda são as cervejas importadas, o que não é de todo mal se levada por gente que entende de botequim). Acrescente-se a isso o fato de que no ramo empresarial, muda-se o vento, muda-se o investimento, ou seja, citando o caso dos bares franquia, a partir do momento em que deixou de ser interessante economicamente um certo modelo de bar em determinadas freguesias, alguns fecharam e outros mudaram de dono. E  essa mudança de donos ou perspectivas refletem-se na indefinição do perfil dos estabelecimentos. 

  Dessa indefinição decorre que não há mais identificação entre os estabelecimentos e os locais em que os mesmos funcionam. Todo mundo sabe, não precisa nem ser adorador das ampolas de coloração marrom-translúcida pra saber, que botequim só “pega”, só “cai no gosto da galera”, se houver alguma dose de sensibilidade quanto ao seu público predominante e às suas necessidades (se é que podemos chamar assim o ato de encher a cara), mesmo em que alguns lugares esse público seja heterogêneo e diversificado (primando pela redundância ampla, geral e irrestrita).

Peguemos, por exemplo, o caso da Lapa pós-fechamento da passagem para carros em alguns trechos. Após meses de ausência (porque o lugar ficou de doer), dei uma passadinha por lá numa ocasião recente com grande elenco, entre eles meus manos do “tripé” que sustenta o Pau na Mesa, Cizenando, Fábio e Pedro Veríssimo (afinal, abandonaram os pseudônimos?), e ficamos embasbacados ao presenciar vários bares fechando às 2h30, 3 horas (na boa, foi assustador) justamente nesse corredor sem carros. Como esperávamos notívagos de outros eventos, tivemos que rumar para o, àquela altura já hiperlotado, “Cachaça”. Parece surreal, um lugar que se promove como berço da boemia carioca (e tem lá suas razões, né? Bandeira, Di Cavalcanti, João Pernambuco, Jayme Ovalle, José do Patrocínio, Madame Satã, Geraldo Pereira, as damas dos cabarés e inúmeras outras figuras simbólicas do lugar que não me deixam mentir) se contradizer em seu próprio horário de funcionamento. Estão se promovendo com um falsa idéia de que lá é o lugar pra vida noturna (e de fato, lá não faltam opções, o problema foi o rastro encarecedor e especulador imobiliário da região) enquanto jogam sabão nos pés dos fregueses logo na hora em que o negócio começa a ficar animado. 

Nesse sentido, é uma transformação com caráter de permanência (pois mudança também pode significar manutenção ou conservação -  apud Maria Isaura Pereira de Queiroz, hehe), muda-se a forma, mas continua-se a descaracterização do estilo butequeiro carioca. O problema maior não é a existência desses locais, pois se existem loucos pessoas que gostam de pagar 8 reais numa garrafa de cerveja, ou quinze reais pra tomar uma bebida exótica feita com meia dose de vodka barata e lichia e que venha com uma azeitona e um guarda-sol num copo de plástico, enquanto a borda coberta de canela se esvai num ardor flamejante (mero arquétipo), elas que devem dizer se isso vale à pena, ou não. Aliás, essa ânsia de tornar os bares mais atrativos para pessoas que não são boêmias ou não têm uma experiência butequeira é outra faceta da descaracterização. O que não deve, não pode e não deixaremos acontecer (não que eu tenha essa capacidade toda de mobilização, mas sim porque há um movimento crescente de resistência, mesmo que ainda insuficiente) é a ruptura com a nossa tradição (porque num paralelo ao que falei no início deste parágrafo, tradição também é renovação e resistência. Por mais que a palavra “tradição” venha carregada de um teor retrógrado ou obsoleto, nem sempre o é, como é o caso do que falo agora).

Diante do apresentado acima (parece dissertação de vestibulando, haha), faço um apelo em favor daqueles verdadeiros boêmios. Pode parecer polêmico, mas vivenciamos uma cada vez mais presente marginalização da boemia, especialmente aquela “guerreira”, aquela que não larga o copo, aquela que invariavelmente pede ao garçom a “penúltima” pra não ter o desprazer de imaginar a sensação da saideira, aquela que amanhece e ainda está na brincadeira e horas depois “a noite pede pra voltar”, aquela que ao cair da tarde perde o sossego, aquela que ignora um temporal em busca do objetivo maior, enfim, uma perseguição aos amantes da vida noturna. Por marginalização, por enquanto entenda-se limitação ao exercício da boa boemia, mas não é abstrair muito imaginar uma futura perseguição aos beberrões, poetas e vadios da madrugada.

Conclamo, portanto, a todos os boêmios (de prática e de coração) a erguerem o copo e brindarem à luta que está apenas começando (seria muita pretensão dizer que eu começo essa luta, não sou tão doido) em favor do Botequim, imortalizado na clássica canção do quase centenário Noel (é semana que vem!!) e por todas as pessoas comuns que fazem o uso diário desses estabelecimentos. A boemia está na cultura brasileira. Mesmo que para alguns apenas nos finais de semana, ou em baixa assiduidade, o boteco vive no coração de nosso povo.

Até mais!


Agora é guerra!

5 outubro, 2010

Obviamente não estou a falar do episódio que envolveu a sra. Erenice, superestimado por grande parte da imprensa porta-voz da direita raivosa. Se ficar provado sua culpa, que seja condenada, pois o que tinha ser ser feito já o foi (seu afastamento). Nem acho que esse suposto escândalo conseguiu ganhar tanta atenção e votos assim. Estamos no segundo turno apenas porque as pesquisas e 12 entre 10 analistas políticos subestimaram o poder de crescimento da chamada “onda verde”. Marina Silva sai do primeiro turno como uma vencedora, parabéns a ela, mas de resto, os demais elementos da onda verde não passam de algas marinhas misturadas à força da corrente de água marinha (ou Marina?). O caso do Rio de Janeiro é emblemático. A bancada do PV conseguiu levar risíveis dois deputados pra cada câmara (federal e estadual), nada comparado aos 31% da ex-ministra acreana. Por outro lado, se Gabeira não foi patético, seus quase 21% de votos representam bem menos do que o percentual “Marinesco” e a tragédia que foi sua aliança com DEM e PSDB, digna de um ex-Gabeira. Vale ressaltar que a própria subida de Marina foi um instrumento efetivo da direita (vide Ali Kamel e seu editorial dos jornais globais). Ela não é má pessoa, mas serviu a diversos interesses escusos, contrários inclusive aos pessoais dela, razão pela qual nem me passou pela cabeça a possibilidade de lhe agraciar com meu apoio nas urnas. Mas teve um pessoal tradicionalmente de esquerda que caiu no canto da sereia.

Os temas ecológicos e religiosos estão agora em voga, e até tiveram grande importância na indefinição imediata do resultado eleitoral, mas, embora não se deva esquecê-los, não devem guiar a linha mestra de campanha na reta final. A partir de agora é o momento de mudança de estratégia em outro sentido: a polarização. Agora é ou sim, ou não, ou dá, ou desce, é a hora de se politizar o debate, tal como aconteceu em 2002 e 2006. É norte x sul, é bem x mal, é esquerda x direita, é social x econômico, popular x impopular, é dividir x somar, é Estado forte x Estado mínimo, é Lula x FHC, é Dilma x Serra. E eu, se não vinha sendo claro, agora serei. Não dá pra voltar no tempo! Podem criticar o quanto quiserem, mas “nunca na história desse país” (já dizia um cara aí) houve inversão no processo de redução da desigualdade social do país tal como está havendo. Se isso não basta, é o momento de pressionar pela força social nacional frente a interesses especulativos, latifundiários e banqueirísticos, é hora de uma aliança pela esquerda, chega da história do bolo, chega de conservadorismo! Aceita-se uma ou outra das reivindicações desses setores que vivem com o freio de mão puxado. O aborto, por exemplo, virou polêmica, porém, mais dia menos dia vai passar, mesmo que demorem anos ou décadas.

Marina não deve se aliar com Serra, e nem com Dilma, embora não tenho dúvidas de que vai apertar o 13 ao final dessa eleição. Caso contrário, estará se aliando aos ruralistas, maiores responsáveis pelo desmatamento (e diga-se de passagem, maiores canalhas do Brasil). O Partido dela, já é vergonhoso ao ser o único partido verde do mundo a se aliar com a direita e, convenhamos, não possui capacidade de puxar votos.  Serão 4 semanas de pressão do Jornal Nacional, da Veja, da Época e grupos Abril da vida pra chamá-la pejorativamente de ex-guerrilheira  e o escambáu. É a hora do contra-ataque, da mobilização da esquerda, como falou um camarada meu no domingo, durante a apuração, é hora da militância sair da inércia! E viva  os heróis da guerrilha (isso sou eu falando)!

A campanha da Dilma no primeiro turno não quis se arriscar muito, mas agora é hora de agir junto com seus novos aliados. Por isso, digo sem dúvidas da aliança de esquerda: agora é Dilma!

O governo Lula sai após oito anos com impresisonantes 80% de aprovação. Se fôssemos levar em consideração todos os petistas e ex-petistas concorrentes (Dilma, Marina, Plínio e Zé Maria. Talvez o Rui Costa e acho que o Ivan Pinheiro sempre foi “partidão”. Serra ficaria abraçado a Eymael e Levy Fidelix, “o louco”), seriam quase 70% dos votos, nada mal. Tudo bem que nunca esses votos vão integralmente de um lado pro outro e tem uma galera mais à direita que simplesmente preferiu não votar no Serra de cara e não deve votar na Dilma. Dilma não precisa de todos esses votos para ganhar, um terço deles já seria bem mais do que o suficiente e não será difícil conseguí-los. É fazer campanha diária pra fechar o ano com outra vitória acachapante. Eles, que adoram um terrorzinho eleitoral, também gostam de perder votos no segundo turno.

Até mais!


Não desistiremos do Maracanã!

13 setembro, 2010

   

Parece transmimento de pensação com outros blogues, mas nada mais é do que reflexo de um assunto que veio novamente à tona com o início de mais uma obra (dessa vez definitiva. Será?) de reforma do maior do mundo, o Estádio Jornalista Mário Filho, o Maracanã -  a única diferença é que eu sou um pouco mais lerdo pra escrever textos.   

Ver as fotos do recente desmonte, em andamento, das cadeiras azuis que, pouquíssimos anos atrás, foram colocadas no local onde ficavam as antigas áreas da geral e das cadeiras de baixo é uma cena pra fortes corações. Mais do que presenciar in loco a iminência de um gol do adversário, essa nova fase de ”reformas” do querido maraca causa um aperto no peito impossível de explicar com palavras. E junto desse aperto não poderia faltar um sentimento de indignação com mais essa mutilação que proporcionam ao “gigante de concreto”.   

Mais do que uma campanha pública contra esse absurdo, proponho aqui a resistência, não contra as obras que já começaram e agora parecem inevitáveis, mas pela retomada das tradições do Maracanã. Nesse caso em específico, a ”retomada às tradições” não significa um movimento conservador ou reacionário, mas sim, muito pelo contrário, a luta para que o Estádio (com maiúscula mesmo) seja utilizado pela população que o consagrou nos moldes em que essa população o consagrou. Deixem-me ser mais claro, não vai ser uma destruição interna do Maraca, seguida de alterações em seus acessos e tudo o mais, que vai mudar e padronizar a forma de o brasileiro assistir às partidas de futebol. Estádio, ao menos o grosso de sua capacidade, não é lugar para uma platéia altamente domesticada e ordeira, o torcedor brasileiro pula, xinga, canta, escolhe o lugar que vai se sentar e é assim que tem que ser.   

Vejam que não prego uma bagunça, com pessoas urinando em qualquer lugar (há banheiros pra isso), brigas (coisa de babaca na maioria das vezes, convenhamos), ou qualquer forma de desrespeito ao torcedor, que deve ter condições de assistir ao jogo aonde estiver posicionado (conto aqui claro com o bom senso. Não adianta um baixinho querer ficar atrás de um galalau de 2 metros de altura, que nada se resolve). Manifesto-me, basicamente, contra essa série de regras que pretendem impor ao público, contra a absurda redução da capacidade do Maracanã e contra as eventuais demolições do Célio de Barros e do Júlio Delamare, em seu entorno, pra transformar em estacionamento, sendo que o local é de ótimo acesso por trens e metrôs (apesar da qualidade precária destes, por maus cuidados, o que já é uma outra história).   

   

   Não há imagem mais bonita na história do futebol do que ver o Maracanã lotado. Reduzir sua capacidade para menos de 80 mil pessoas é um despautério, sabendo-se que é possível abrigar um público de mais de 100 mil pessoas TRANQUILAMENTE, com todas devidamente acomodadas. Sem muito conforto, é verdade, mas satisfatoriamente acomodadas, afinal é um estádio e não um cinema ou o Teatro Municipal. Dessa forma, sou completamente a favor da retirada das cadeiras verdes, amarelas e brancas das arquibancadas, bem como da derrubada de suas divisórias, criadas simplesmente por uma questão de mercado (cobrar mais caro pras brancas e para um público “selecionado”) e que limitarão o público ao vender o mesmo número de ingressos para as duas torcidas em clássicos, sendo proibida a ultrapassagem de seus limites pré-determinados – se uma torcida estiver embalada e trazendo multidões, mesmo que a outra venha desanimada e não encha sua parte, vai ter que se contentar com seu espaço e público reduzido… patético.    

O caso dos camarotes explica claramente essa mercantilização. Sempre existiram, mas antigamente não eram tantos, nem completamente fechados. Com as últimas obras, foram ampliados e completamente vedados com suas telas transparentes de acrílico, impedindo a passagem de ar e transformando o Estádio em uma estufa nos dias de calor (não havia sido projetado daquela forma à toa). Ainda proibiram a circulação dos torcedores das arquibancadas comuns por aquela parte de cima, tornando mero elemento decorativo as rampas superiores. Depois reclamam que a Fifa pede insanamente que os estádios do mundo todo sejam evacuados em até oito minutos (pr’aqueles galinheiros de 20 mil lugares na Europa - claro que lá também há os grandes estádios –  isso é possível, mas pra um local das dimensões do Maracanã isso é pura bravata daqueles caras que comandam o futebol mesmo sem entender chongas do esporte). O problema é que não é de hoje que pretende-se dar mais comodidades a um pequeno número de Vip’s, e “pseudo-celebridades” em detrimento de um público realmente grande a apoiar seu time ou seleção. Até ex-jogadores, responsáveis pelos espetáculos do passado, por vezes são destratados pela Suderj, que dirige o Maior do mundo.    

A verdade é que o Maracanã não faz sentido sem a massa. Não faria sentido, por exemplo, a final da copa de 1950 sem o público de mais de 200 mil pessoas num silêncio ensurdecedor repleto de desilusão após o segundo gol da celeste olímpica. A saída do estádio apenas com o barulho dos sapatos batendo no concreto, como num velório ou algo parecido – diria pior, pois a vida continuou e o trauma se incrustou em todos - , a representação máxima do que deve ter sido o dia mais triste da nação inteira (e olha que nosso povo já teve motivos de sobra pra chorar). O time uruguaio, a bem da verdade, era muito bom de bola, mas a surpresa da população foi tão grande que era inimaginável – ainda mais depois dos 7×1 sobre a Espanha, no jogo marcado pelo canto de “Touradas de Madri” pela torcida – a derrota do esquadrão brasileiro (até então jogando de branco).     

O fatídico gol de Gighia e o "Maracanazzo"

Ou então, nos recordes de público oficiais em jogos da seleção (Brasil 1×0 Paraguai, em 1969) e entre clubes (Fla 0×0 Flu, final do campeonato carioca de 1963). O Maracanã é a verdadeira casa da massa, queiram ou não os interesses televisivos e de “pay per views”, que não desfarçam o ódio que sentem pela multidão. A bem da verdade, essa elite afrescalhada e de nariz empinado não faz falta alguma no maior do mundo.  

Recorde de público oficial - Brasil 1x0 Paraguai (183.341 pessoas) pelas eliminatórias da Copa, em 1969. Gol de Pelé.

Fla 0x0 Flu de 1963, final do Campeonato Carioca. Flamengo campeão! Público oficial 177.656 pessoas (recorde entre clubes). Na foto, o goleiro Marcial salva o Flamengo após o ponta-esquerda tricolor, Escurinho, escapar livre na cara do gol no finalzinho do jogo.

 Não fariam sentido, também, os lances geniais de craques no Maracanã sem um público para prestigiá-los, vaiá-los ou apenas para assistí-los ao vivo e a cores de seu interior. Tendo suas redes inauguradas pelo craque Didi, o Maraca viria a receber de braços abertos, os grandes craques do futebol mundial (por exemplo, Puskas, Beckenbauer e Maradona), e até mesmo consagrá-los (casos de Doval, Reyes, Romerito e Petkovic) e, principalmente, seria a casa do futebol brasileiro.  Falar que no Maracanã passaram os principais craques brasileiros chega a ser maldade, tamanha seria a infinitesimal lista. No entanto, alguns não poderiam de jeito nenhum ficar de fora.
 
Pra que não digam que sou um Rubro-Negro dos chatos, vou começar por aquele que mais bailou com a bola naqueles gramados: Mané Garrincha. O anjo das pernas tortas foi sem dúvida a maior representação do clube da estrela solitária. O ponta-direita mais driblador e fantástico da história do futebol. Num esporte cada vez mais nojentamente “modernizado” (há algo mais moderno do que um drible manjadíssimo que ninguém intercepta?), infelizmente, é  possível afirmar que jamais haverá outro jogador com suas características – seria na primeira peneira considerado “aleijado” e mandado pra rua.
 

Garrincha na ponta-direita... e o coitado do Jordan é quem sofria

Zico é outro que nunca poderia ficar de fora de uma lembrança do Maracanã. O camisa 10 da gávea, o galinho de Quintino, Arthur Antunes Coimbra é nada mais, nada menos, do que o maior artilheiro dos gramados do Maior do Mundo, com 333 gols. Não bastasse isso tudo, Zico ainda é o protagonista das maiores alegrias da torcida Rubro-Negra com grandes times e títulos no Palco Maior do Futebol Mundial, durante a chamada “Era Zico”. Não à toa “Zico, Zicão, Zicasso”, como bem dizia o narrador Jorge Cury, é o Ídolo Maior da Maior Torcida do Brasil e do Mundo,  (agora vão dizer que sou um rubro-negro dos chatos, mas que se danem).

O camisa 10 da gávea fazia o homem do placar eletrônico trabalhar

O gol do "Deus da raça" marca o início das glórias da "Era Zico"

Henfil, sensacional como sempre, retratando o ídolo Zico

O próprio time do maior jogador de futebol de todos os tempos, o Santos de Pelé, tinha a preferência de jogar no Maraca com os torcedores cariocas a seu favor, do que ouvir as vaias de seus rivais paulistas em seu estado. O gol mil saiu lá. Os jogos do Santos bi-campeão mundial em terras brasileiras foram às margens do rio que dá nome ao estádio. Alíás, nesses jogos do bi-campeonato, o Santos não pôde contar com Pelé, machucado, e abriu espaço para outro jogador que se consagrou naqueles gramados da zona norte da cidade, Almir (“o Pernambuquinho”). Devido ao seu temperamento explosivo, que entre outras coisas influenciaram até a situação de sua morte, com um tiro nas costas (um dia conto essa história por aqui), protagonizou duas das cenas mais impressionantes do Maraca: um gol de pura raça, marcado com a cara na lama (e não à toa virou ídolo do Mengão), e a porradaria generalizada na final do carioca de 1966, perdida pro Bangu, após perder a cabeça com o juiz (que, de fato, não havia expulsado um bangüense após uma forte entrada que tirou um Rubro-Negro de campo).

O gol 1000 de Pelé. Andrada bem que se esticou todo, mas ficou a dar murros no gramado. E "Pensem nas criancinhas!".

O gol com a cara na lama, símbolo da raça dos rubro-negros. No jogo, o Flamengo venceu o Bangu por 2x1 debaixo de um temporal.

Inconformado com a arbitragem e com o campeonato, àquela altura, já perdido, Almir partiu pra cima dos jogadores adversários. O jogo foi precocemente encerrado com vitória do Bangu por 3x0.

Quantos outros craques e ídolos não tiveram seus nomes gritados a plenos pulmões pela massa presente. O Maraca é a casa eterna de Mestre Ziza (Zizinho), Jájá (Jair) Rosa Pinto, Ademir (Queixada), Barbosa (injustamente tachado como vilão em 1950), Nilton Santos, Castilho e sua leiteria, Gerson, Jairzinho, Rivellino, Roberto Dinamite, Rondinelli o “Deus da raça”, do “casal 20″ Washington e Assis, Bebeto, Romário, Renato Gaúcho, Raul, Leandro, Marinho, Mozer e Júnior; Andrade, Adílio e Zico; Tita, Nunes e Lico (não me contenho, sou muito Flamengo!), e de tantos outros jogadores bons de bola, comuns e, claro, pernas de pau que, como não poderia deixar de ser, pisaram, jogaram e marcaram gols no templo sagrado. Estes só se tornaram inesquecíveis e ídolos justamente por causa desse contato quase que direto entre torcedores e jogadores. Claro que os locutores tiveram seu papel fundamental nesse processo, especialmente do rádio, tais como, Oduvaldo Cozzi, Ari Barroso, Waldir Amaral, Jorge Cury, o “garotinho” José Carlos Araújo, entre tantos outros. Por sinal, não há imagem mais representativa do que é torcer dentro de um estádio do que a de uma pessoa assistindo ao jogo e de ouvido colado em seu radinho. 

O inseparável radinho ao pé do ouvido

O fato é que não teria (nem terá) sentido o Palco Maior do Futebol Mundial ter reduzida sua capacidade de público para a colocação de assentos confortáveis. Nesses últimos meses já era possível ver um enorme cartaz dizendo que o Maracanã está se “modernizando” para atender ao torcedor de Copa do Mundo. Francamente, torcedor de Copa do Mundo NÃO é o torcedor do Maracanã, nem é torcedor de estádio de futebol (e olha que torci para termos e quero muito a Copa de 2014 no Brasil). É no máximo um turista ou alguém que vai aos jogos porque está na moda. Na época do “pega pra capar” eu me pergunto onde estavam esses sujeitos. Felizmente a questão da violência dentro do estádio melhorou e muito nos últimos anos, os banheiros também tiveram uma melhora e quanto a isso não se questiona. É até legal que as pessoas percam o medo de frequentar os estádios. O problema é que para atender a uma minoria, simplesmente deixa-se de lado a grande maioria, junto com essas transformações de segurança e acesso, o preço dos ingressos vai às alturas (se o estádio fosse “programa” apenas do “povão”, é questionável se essas melhorias seriam feitas).

É a mesma lógica que proíbe algo por causa de uma minoria que “não sabe brincar”, caso da proibição da venda de bebidas alcoólicas. Faço, portanto, novamente meu voto manifesto pela liberação destas, assim como pela volta de outros alimentos tradicionalmente vendidos no Maior do Mundo. Se continuar nessa toada, daqui a pouco vão proibir os torcedores de xingar. O xingamento faz parte do ambiente e cenário mágicos que envolvem uma partida de futebol.

O Maraca é a massa, a argamassa que o construiu e que o lotou inúmeras vezes, uma multidão de ilustres desconhecidos que trabalharam por ele ou adentraram no estádio para torcer a cada rodada, a hora do gol em que esses mesmos desconhecidos se abraçam, o aperto para assistir ao jogo em pé sob o sol escaldante de um fim de tarde de domingo, é a festa na geral, a festa nas arquibancadas e cadeiras, é a “palminha” comportada nas cadeiras especiais (o Maraca é tão grande que comporta até isso!), é o xingamento ao juiz, a zoação à torcida adversária após uma vitória ou um campeonato. Já confidenciei, inclusive, para amigos, meio em tom de brincadeira, que tinha o sonho de que o Maracanã se chamasse “Estádio do Povo Jornalista Mário Filho”, mas é justamente esse meu desejo. Sou completamente a favor da retirada das cadeiras da arquibancada e das divisórias da mesma, essa setorização escrota, ainda que fosse necessário jogar pelo ralo o dinheiro gasto com essas obras de descaracterização e fazer tudo de novo do jeito que sempre foi (as cadeiras na antiga geral, talvez pudessem ficar, pois foi uma humanização do público, tratado anteriormente  como gado, mas os preços deveriam baixar para evitar a elitização). Posso até estar sendo radical, mas garanto que o meu radicalismo é menor do que esse aborto, ou bem pior, do que esse estupro que é essa desvirtuação do querido Maraca. É a casa do Flamengo, do Vasco, do Fluminense, do Botafogo, do América, do Bangu e de quem mais quiser chamá-lo de lar. 

Haverá ainda um dia em que o Maracanã retomará sua boa e velha forma. A Copa e os dirigentes passarão, mas nós, passarinhos, e não tardará o momento em que, numa revoada em bando, de todos os cantos do país, sem distinção de clube, classe, raça ou credo ainda seremos capazes de adentrar o Gigante de Concreto, cantando a plenos pulmões, em uníssono, “Domingo eu vou ao Maracanã”. 

O Maraca é nosso, ahá uhú! Até mais!


E começou a propaganda eleitoral gratuita

24 agosto, 2010

Queria fazer um texto alienado, mas não consigo. Farei, portanto, um alienante e cheio de parcialidades.

Agora já podemos dizer que foi dada a largada na corrida eleitoral para todos os cargos que transpassam os limites dos municípios. Nos próximos meses, de segunda a sábado, teremos nosso horário de almoço e de jantar invadidos pela propaganda eleitoral gratuita dos candidatos a Presidente, Governador, Senador e Deputados Federais ou Estaduais. 

Não acho ruim, tampouco um mal uso do dinheiro público, afinal as pessoas têm que procurar saber ao menos o rosto de seus candidatos na hora de votar (embora seja aconselhável saber um pouco mais). No entanto, geralmente esses programas são, tirando os momentos decisivos e que possam causar alguma comoção – geralmente no fim da campanha -, bastante repetitivos e, consequentemente, chatos.   

Ops! Já não é mais assim faz tempo!

Não é objetivo fazer análise profunda – nem superficial  – dos milhares de candidatos, apenas umas poucas considerações. Afinal, sendo um cientista social, tenho – ou não - a capacidade de estudar sobre tudo e não entender nada, ou entender tudo e não falar sobre nada, enfim.  Programas eleitorais muito longos, desde que me entendo por gente, costumam ser cansativos, pois na falta de tempo dos candidatos majoritários para gravar novas aparições, visto que se encontram criculando por aí em campanha, a gente é obrigado a encher os ouvidos de jingles e musiquinhas sobre tudo, além das repetições. O que mais me faz falta são aqueles jingles únicos e fortes, que se tornam uma bandeira de campanha (tipo um  ”Lula-lá” ou um “Lalalalala Brizola”, ou, no lado mais dos picaretas, aquela musiquinha do João Mendes com as crianças cantando – anos depois foi indiciado por corrupção – e aquela do “miliciano” Jerominho - agora preso - ”demorô mais abalou”; ou ainda a conhecida ”Ey ey Eymael”, que está de volta, mas não vai a lugar nenhum – e ainda teve a estapafúrdia ideia de “tirar” seu nome “José Maria” da campanha, sob a alegação de que perdia votos para o candidato do PSTU, Zé Maria, como se adiantasse algo). Tudo bem que está no início e as musiquinhas ainda podem “pegar”, mas não gostei nos primeiros dias.

O ponto que eu queria chegar com esse parágrafão é simples, mas talvez gere reações (ou talvez não, vai saber?). É muito tempo gasto com o horário de propaganda na Tv. Três minutinhos no máximo pra cada candidato à presidência e governo já seriam mais do que suficientes pra apresentar propostas, o passado dos candidatos e até  para jingles.

Estou percebendo também, e não estou sozinho, que a mídia dita informal, de blogues, twítteres e redes sociais angariou um poder que passa a fazer frente àquela restrita a jornais, revistas e televisão. Seria bacana se conseguíssemos resgatar a tradição de campanha nas ruas (afinal isso aqui não é “pela rua” à toa), com comícios, militância e tudo o mais que tiver direito, obviamente, sem cabos eleitorais recebendo pra fazer o serviço, mais um troço de “amor à camisa” mesmo – porque, queiram ou não, essa coisa de política envolve (e como!) um amor danado.

Aproveitando que este espaço da internet é capaz de influir de forma importante nos rumos das eleições, utilizarei as próximas linhas pra uma micro-campanha, mas não se preocupem que não direi em quem devem votar (ao menos não diretamente). Ao que parece, só um desastre tira a vitória de Dilma, e é troço pra primeiro turno (pronto, vão me chamar de Petista)! Seu principal adversário está “literalmente” descendo a Serra nas pesquisas de opinião e os demais (Marina Silva, Plínio de Arruda Sampaio, Zé Maria, Eymael, Ivan Pinheiro, Rui Pimenta e Levy Fidelix), no máximo, terão um papel de chamar a atenção para determinados temas (lembrem, por exemplo, a campanha do monotemático Cristovam Buarque, em 2006, só falando de educação), o que, dependendo do teor do discurso, é válido. Só acho que os candidatos menores que realmente tem condição de fazer isso são mesmo a Marina, com a questão ambiental, apesar de parecer bastante inssossa em início de campanha, e o Plínio, ex-ministro de Jango, que surpreendentemente despertou alguma simpatia em parte dos mais jovens.    

Aqui no Rio, pelo visto, o Cabral também se reelege. Então já vou começar a cobrar investimentos principalmene em educação e saúde (não bastasse o salário de fome do ensino público escolar, a UERJ é das que pior paga seus professores no país, uma vergonha. Os hospitais também continuam em estado deplorável). Seus adversários também não inspiram muita capacidade de reação nas pesquisas. Bem feito pro ex-Gabeira e pro PV, que se baseou novamente na deplorável aliança com PSDB, DEM e PPS (aliás, nunca pensei que pudesse ter tanta raiva de um partido que em determinado momento histórico foi até simpático, como o caso do PV. Se bem que não é de hoje essa aliança, vide os flertes e cargos assumidos pelo “cada vez mais com voz de boçal” e hoje candidato a federal Sirkis com a prefeitura de Maia. Além do mais, esse daí foi, para dizer o mínimo, extremamente grosseiro ao chamar o Plínio de “dinossauro”. Ao contrário do candidato verde, que parou nos “carbonários”,a trajetória política do “jovem” merece mais respeito (se bobear, daqui a pouco vão me chamar de Psolista); por mais que se discorde de alguém politicamente, os candidatos devem se respeitar (eu, que não sou candidato, falo mesmo!), ao menos num pronunciamento oficial – ou então que caiam na porrada na frente das câmeras, que é isso que o povo quer ver, brincadeira.

Eu fico vendo as repetidas aparições dos candidatos e matutando sempre: “Será que esse daí se elege? E essa, se reelege? Esse, depois daquela confusão no episódio x, vai perder votos”. Dessas reflexões, não podem faltar as lembranças de alguns candidatos que, após um tempo fora de cena, caso do “já não mais tão” Garotinho, que infelizmente vai levar uns deputados lá pra Brasília com ele (se bem que, depois de tanta condenação, sei não), e da Benedita, sua ex-vice e, posteriormente, governadora, outrora nome mais forte do PT no estado, mas que tenho minhas dúvidas sobre sua votação, apesar de achar que ela leva. 

Não vou falar de cada candidato, o que seria impossível, mas não posso esquecer da cara de pau do Rodrigo Maia, um dos que foram considerados traidores do Rio de Janeiro, aquele que teve cartaz dizendo “não procriem” na ocasião de seu casamento (já falei dessa história aqui, é sensacional só de imaginar), ao dizer que defende o estado na questão dos royalties. Torço sinceramente para que perca muitos votos.

Falando nisso, o pai dele, Cesar Maia, concorre a uma das duas vagas pro senado. Agora é guerra! Com o Crivella disparado nas pesquisas, o negócio é essa última vaga e todos os esforços devem ser feitos pra tirar o “Cesinha” do segundo posto. Claro que não vale votar no candidato Picciani (por sinal, como ficaram aquelas acusações sobre as fazendas desse aí com escravos? Só não entendi o que Cidinha Campos faz em sua campanha), que nunca foi flor que se cheirasse, muito pelo contrário. Faço campanha para que os dois se afundem nessas eleições. E apelo para a força de Nova Iguaçú, pois quem tem chence de desbancar esses daí é o “Lindinho” (é, vão me chamar de Petista mesmo, ou vão me chamar de boiola, por chamar um homem de “lindinho”).

Há ainda aquelas curiosidades, como por exemplo, o fato de Barack Obama estar concorrendo a uma vaga federal, o baixinho Romário idem (este, por sinal, não fará mais dupla com Bebeto, que se candidata a deputado estadual), as “pseudo-celebridades” tambe´m intentarem por sua vaga, como o caso da Mulher Melão, o recorrente tema dos Royalties (a palavra estrangeira de mais rápido aprendizado no país) e as leis de múltiplos pais como “Lei Seca” e a “Ficha Limpa” (é impressionante como todo mundo diz ser seu criador), sem falar em outros slogans bizarros como “chega de arroz e feijão, o povo quer filet mignon!”. A verdade é que as campanhas dos deputados parecem estar com menos recursos pra Televisão do que outrora (e no quesito bizarrices, não chegam perto das propagandas pra vereadores).

Um último fato que pretendo ressaltar é o constrangimento que a imagem do ex-presidente FHC causa aos candidatos. Nem o candidato de seu partido quer atrelar sua imagem ao cara. O único que o faz é o candidato a senador pelo PPS (esse PPS, tsc, tsc), Marcelo Cerqueira, que foi um advogado honrado e bastante combativo nos tempos de ditadura e parece ter caído nesse erro, visto que nunca pareceu ser um cara ruim (mas é também uma forma de se promover e, sabendo que não tem chances, aglomerar os votos dos poucos que ainda hoje simpatizam com o ex-presidente, o que não é meu caso).      

Muita água ainda deve rolar até 3 de outubro, quando irei à zona eleitoral, mais uma vez e como sempre, de camisa vermelha (não tem jeito, agora vão me chamar de comunista).

Até mais!

P.S. Faltou fazer campanha contra o homem-forte do choque de ordem,Rodrigo Bethlem, mas taí o recado de minha ojeriza ao cidadão e ao que ele representa!

P.s. 2- Também torço muito para que figuras como Jair Bolsonaro fiquem de fora. Um cara que, além de todas as posições escrotas que sempre teve, afirma que o erro dos militares “foi torturar e não matar” merece, no mínimo, o desprezo das urnas (e que se julguem os torturadores!!!).


Campanha pelas tradições brasileiras nos estádios

3 dezembro, 2009

E por falar em futebol (mentira, já vinha tentando escrever essa postagem há duas semanas, mas fui atropelado pelos acontecimentos)…

Recentemente, diante de mais uma reclamação de um dos países participantes da Copa do Mundo de 2010 (a primeira a reclamar foi a Espanha, agora foram os japoneses), na África do Sul (que é logo ali), a FIFA, entidade que odeia e nada entende de futebol, mas por alguma razão que não cabe aqui aprofundar coordena o esporte mundialmente, tomou a acertada decisão de permitir o uso das Vuvuzelas – nome originado a partir da onomatopéia de “woo woo”, sacaram?  – durante os jogos da Copa. Curioso é que as cornetinhas, ”a nível de” Copa do Mundo,  não se tornaram moda no país sul africano (até porque não faltam episódios de cornetas em estádios. Lembro-me imediatamente da final do Tri, com gol de falta do Pet em 2001, quando foram distribuídas cornetas rubro-negras à torcida), mas sim no “organizado” campeonato ocorrido na ordenada Alemanha. O bom disso é que a bagunça não se limita aos países subsedenvolvidos (terceiro-mundistas, em desenvolvimento ou seja lá que nomenclatura queiram aqui utilizar).

Voltemos ao tema  do dia.

Diante de rara acertada decisão da entidade máxima futebolística mundial, cabe aqui o protesto para que sejam liberadas as tradições brasileiras nos estádios tupiniquins. A principal delas, que foi ceifada por ordens da anacrônica FIFA, e aceitada ridiculamente pela “idônea” CBF, foi a proibição da venda de cervejas nos estádios. Não bastasse isso, no início do ano, aqui no Rio decidiram proibir as vendas de bebidas alcoólicas no entorno do maior do mundo (não sei se a medida já chegou aos outros estádios). Estipularam uma linha imaginária de 200 metros do estádio, que na verdade passa dos 2 km, para liberar o consumo das benditas. O argumento foi o do aumento da violência nos estádios após seu consumo.

Afirmo que é um argumento falso. De dois anos pra cá, data da proibição, já vi muito marmanjo quebrando cadeira de raiva ou armando briga/confusão sem ter consumido uma gotinha sequer do líquido dentro dos estádios - e se tivessem consumido fora, provavelmente o álcool não mais faria efeito, pois ambas as situações foram lá pelos fins do segundo tempo, tempo suficiente pra desanuviar a cabeça da birita. Dirão que um ou outro caso não pode servir de parâmetro. Tudo bem, mas o mesmo argumento vale para a violência. Se há uma tendência à violência num país, isso não se deve somente ao álcool e sim por diversos fatores em conjunção incrustados na cabeça do povo, os quais tornariam a sociedade mais (ou menos) violenta se pensados todos juntos e não separadamente. É mais um caso daqueles em que se tira o direito de uma maioria que cumpre a lei em razão de meia dúzia de avacalhões. Ao invés de se combater o problema, ferra todo mundo e fica por isso mesmo.

A cervejinha não é tomada no estádio no mesmo ritmo das mesas de bar. O preço mais caro interfere, mas o clima de tensão no entorno da peleja que acontece no gramado é a principal causa da mudança de atitude. Bebe-se (bebia-se) nos estádios mais pra lubrificar a garganta antes de entoar um cântico (aliás, chega de musiquinha nova a cada seis meses!), ou dar um grito qualquer. O bom hábito de dar um gole, ao contrário do que afirmam as autoridades, ajuda a aliviar a tensão. É algo quase automático após um susto ou uma boa oportunidade perdida pelo seu time. E que não venham os frescos reclamar do banho de cerveja clássico na hora do gol – pra lavar a alma e depois dar uma golada na sua latinha. Ah, e tacar mijo é coisa de filho da p*ta mal- educado, não tem nada a ver com o consumo da cerveja. Quem bebe sempre sabe o caminho do banheiro e conhece o funcionamento de sua bexiga.

Acabei me detendo muito no assunto da cerveja, mas gostaria de fazer um mini- campanha pelo fim das cadeiras na arquibancada e pela volta da geral no Maraca. Tá, parece um pouco radical, mas poderiam ao menos diminuir o tamanho das “costas” das cadeiras. A cada gol em dia de lotação vai uma galera pro chão e uns se escoram nos outros pra não atropelar que está embaixo. O mesmo ocorre, em menor escala, quando alguém tenta passar “por onde não dá”. Se todos os assentos fossem parecidos com os que existem nas arquibas verdes, já facilitaria.  Sou também a favor da extinção da separação entre arquibancadas, aquelas paredes são uma vergonha e a arquibancada branca com preços mais caros são a maior expressão dessa segregação escrota. O último ponto, no tocante à forma de assistir aos jogos, é: pela liberdade de se assistir aos jogos em pé! Quer se sentar, procure outro lugar, sempre se acha (sem demagogias, eu mesmo já fiz isso num dia que fui febril assistir a um jogo de grande apelo). Quer conforto, em qualquer boteco é possível assistir aos jogos num telão e arrumar uma cadeira – tá, não são todos os botecos, mas me fiz entender. Por sua vez, a geral, local da espontaneidade máxima nos estádios, não pode se tornar local para uma platéia fria, estática, sentadinha, como se comemorasse um gol na Finlândia – acho que nem lá é assim.

O último assunto que me lembro de cabeça é a alimentação. Nos estádios, geralmente não são boas as comidas (se bem que já ouvi falar algumas vezes do feijão tropeiro vendido no Mineirão… hummm, que beleza!), mas já foram um pouco mais diversificadas. Até vendedores de melancias se encontravam em abundância (pra matar a sede naquele sol, que bate por mais tempo na arquibancada do Flamengo do que na dos adversários, devia ser uma beleza, pena que não peguei essa época). A maior causa de atendimentos médicos no Maraca durante os jogos é o inssosso cachorro quente, colonizadamente sob a alcunha de ‘hot dog’. Não bastasse vir sem molho, sem catchup, sem mostarda, apenas pão e salsicha, aquela porcaria ainda leva a galera pro posto médico.

Certamente há outros aspectos não abordados, até porque me fiei basicamente no que conheço de Maracanã, mas deixo meu recado (após o sinal? Perdão, foi péssima!) pelas tradições de volta aos estádios brasileiros. Esse foi pra criar polêmica.

Haja tensão até domingo, vou abrir uma latinha… Até mais!


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