29 de fevereiro

29 fevereiro, 2012

Não poderia passar essa data sem uma postagenzinha sequer. Afinal, a próxima oportunidade será só daqui a 4 anos, isso se o mundo não acabar. A começar que 29 é um número primo e esses não são bem vistos por ninguém. Com relação à data, vinte e nove de fevereiro é dia para poucos, dia de poucos, e esses poucos ainda sofrem por não poder comemorar seu aniversário no dia exato na maioria das vezes. Deve ser um sentimento ambíguo, pois, se de um lado, bate aquela tristeza por ter de improvisar o aniversário no dia dos outros (geralmente no dia 28, para manter ao menos o mês de nascimento), por outro, há sempre aquela sensação de que os nascidos nesse dia são mais novos, justamente por não poderem comemorar seu aniversário em seu dia, como todos os demais.

Ainda neste ponto, há outro sentimento de ambiguidade, já que ser mais novo nem sempre é bom (nem ruim) e pode gerar aquelas infames piadinhas sobre maioridade e afins: “você só tem 7 anos, não pode entrar nesse lugar, nem beber! Só em 2056.” - seria uma tremenda maldade deixar o pessoal na seca até seus 18 anos comemorados na data à risca. 

Outra puta falta de sacanagem (tá certo, essa piada já é velha no meio digital, provavelmente até mais velha no imaginário do que muita criança aniversariante de hoje, mas tem culpa eu dessas coisas entrarem e saírem de moda tão raápido ultimamente?) que ocorre com os nascentes neste dia está no fato de que os anos bissextos, na maior parte das vezes, virem sempre acompanhados de outras informações, que os acabam diminuindo em importância na medida em que compartilham sua peculiaridade com outros eventos (vai discorrer de maneira complicada assim daqui a quatro anos!), como por exemplo o fato de ser também ano de olimpíadas, ou pior ainda, ano de eleições municipais. Os anos bissextos mereciam maior prestígio, disputar espaço com várzea é dose! 

Não sei se a informação a seguir ajudará na elevação da auto-estima dos naturais de vinte e nove barra dois, mas, n’outro dia, fiquei sabendo que o dia 29 de fevereiro possui também um lado romântico (vindo da fonte que veio, não vou nem averiguar sua veracidade, apesar da informação incompleta – sim, eu confio plenamente nos meus): nesta data, ao menos em algumas culturas, dizem por aí que as namoradas podem pedir seus respectivos namorados em casamento que eles não podem negar o pedido (por medida cautelar em mandado de segurança – pra quê tanto floreio, rapaz? Sempre me pergunto isso – , lanço esta postagem apenas à noite, para que as mais afoitas não tenham tempo ágil, nem útil, para preparativos. A turma que se proteja do ataque possível daqui a 4 anos – como se o público de leitoras dessa página fosse grandes coisas, hehe). Se bem que acho que isso é só na Irlanda (pronto, já dei a dica, evitem viagens pra Irlanda para daqui a 4 anos se não estiverem pensando em casos sérios).

Sempre em dia com a notícia (?!!! Aliás, de onde é esse slogan?), mandamos, antes mesmo do carnaval, a equipe do blog Pela Rua (?!!!) para as ruas a fim de investigar a população a respeito dessa história. Foliões fanfarrões que são, mesmo com uma semana após o fim dos festejos oficiais, ainda não deram as caras por aqui, de modo que é preciso fechar a pauta sem uma resposta. Quem sabe pra 2016 não teremos uma resposta (qualquer dúvida procure no google, estou com preguiça de fazer buscas sobre informações que vocês provavelmente um dia verão no Jornal Hoje)?   

Até mais!


Carnaval é subversão

14 fevereiro, 2012

Antes de mais nada, não estou pedindo pra saírem mijando por aí pelas ruas. O cheiro que fica nas ruas causa sim incômodo e na existência de banheiros, estes continuam sendo a melhor opção. Também não estou defendendo atos de violência urbana durante os festejos de Momo. Brigar na rua é coisa de babaca.  Faço mais uma defesa do carnaval como momento de inversão. Tá certo, explicarei melhor, aguentem só um pouquinho.

Vivemos em um mundo cada vez mais insuportável, com pouquíssimos fazendo a festa a custa do sofrimento e da vida da imensa e esmagadora maioria. Até aí, nenhuma novidade, seria apenas mais um dentre os milhões de comentários a lamentar a vidinha de merda que poderosos impõem à humanidade diariamente. Uma população que aguenta cada tranco do jeito que aguenta, deve ter ao menos os dias do ex-tríduo momesco (atualmente já são quatro, cinco, ou até mais dias de carnaval) para realizar a tão necessária inversão na sociedade.

Foi só eu passar por aproximadamente duas semanas com pouco contato com a realidade que bombas e mais bombas estouram aqui no Brasil. Por preguiça e outras razões, não cabem ser mencionadas por ora (andaram até falando por aí que eu estava ficando louco, né não, Pedrinho e João?!), mas principalmente mesmo por preguiça, deixei de escrever por estas páginas. Pra não passar em branco, as últimas semanas, é complicado assistir calado às barbaridades que aparecem (ou são solenemente ignoradas) pelos meios de comunicação tradicional, por exemplo. O massacre de Pinheirinho no interior de São Paulo, uma renovada versão do despejo na favela cantado por Adoniran décadas atrás, um repeteco das práticas Alckimistas desde que esse desgraçado se elegeu pelo estado de lá, a conivência da justiça paulista, que passou por cima do pacto federativo, ignorando uma decisão do Supremo, a polícia sanguinolenta como sempre. Por aqui, as remoções do prefeito Paes, relembrando o governo Lacerda, que tacava fogo nas favelas para depois desapropriá-las e deixar o terreno livre para especuladores imobiliários fazerem a festa, não ficam por menos. Os absurdos pró-Cabral, o pior governador que esse estado já teve, mau caráter da pior estirpe, que some na hora de dar explicações, morador de Paris, mancomunado com grupos empresariais (Cavendish e a turma da Delta, Eike Batista, o novo dono do Rio, entre outros) em detrimento do interesse geral de atendimento ao povo que um cargo público deveria zelar, única e exclusivamente. Enquanto isso, as televisões silenciam ou distorcem fatos sobre as péssimas condições de professores, médicos, profissionais da educação e saúde, bombeiros, policiais e etc. 

Enfim, vivemos em um lugar difícil e nada bom de se viver (ao contrário do que dizia o jingle do Cabralzinho nos anos 1990 e 2000, aquele do “pra ficar legal”), apesar das sutis belezas da vida e das pessoas boas que nos cercam (e felizmente, são muitas, muitas! Certamente em número muito maior do que os imprestáveis), que nos fazem aguentar e seguir em frente. Portanto, não tem essa de pilantras como Daniel Dantas, Sérgio Cabral filho, Geraldo Alckmin, Paulo Maluf, José Sarney, Eduardo Paes, a família Maia, Nadinho, Jerominho, Naji Nahas, Júlio Lopes, os ministros mambembes, enfim toda a sorte de pulhas que existem país afora, o carnaval é uma festa do povo e para o povo.

Sendo os dias de folia feitos para o povo e pelo povo, não podem faltar nas fantasias, cartazes, manifestações corporais, emocionais, nas gargantas e olhares a expressão de seus sentimentos. Alegrias, angústias, sofrimentos, amores, desenganos, protestos, desesperos, êxtase, tudo tem espaço durante a festa. Tudo tem espaço na inversão. é hora de tomar a cidade, o espaço que diariamente nos é negado, ruas e praças, é hora da subversão, da inversão de valores e da sociedade. Não há mais ordem sobre os foliões, o único decreto do rei Momo é que todos devem brincar, a galhofa está liberada. Inclusive para os tristes e inquietos, que entrem na dança da inversão de valores de sua vida a brincar como crianças.

Há aqueles que dizem ser o carnaval um período de alienação, em que todos esquecem dos problemas que enfrentam na vida para se interessar apenas em brincadeiras, em pessoas seminuas, enfim em uma farra descompromissada com a realidade, enquanto “lá em Brasília” (ah, como eu odeio expressões desse tipo!), o pessoal rouba na cara de pau. É um argumento típico de quem reduz política a esses ambientes (direitista a dar com o pau, sejamos claros). Política se faz na vida cotidiana, vivendo a cidade, suas mazelas e oportunidades. É por isso mesmo que reafirmo a idéia do carnaval como subversão. Ninguém fica satisfeito com roubalheira ou com o favorecimento a um ou outro picareta em detrimento do bem estar público, de maneira alguma. O carnaval é sim momento de se mostrar, em fantasias, cânticos, cartazes e de todas as formas possíveis, toda a indignação que nos  deixa inebriados a rodar a cabeça, ano após ano, com a realidade, mas de um modo diferente. São dias em que o povo tem, antes de mais nada, de mandar todos os escusos nomes da política-empresarial e afins se danar.

E que se danem mesmo, que sumam! Após a morte na quarta-feira, retomamos nossos protestos e nossas vidas regulares, mas antes vamos brincar. Os protestos carnavalescos ocorrem, mas sob a forma de alegorias. O carnaval é uma alegoria da vida, ora bolas! Por isso já preparei meu pedido para que Momo engula a chave da cidade e que não devolva aos crápulas. A cidade é e tem que ser do povo que se organiza mesmo na desordem. As praças e ruas são nossas!

Até mais!


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